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Incrível é a eficiência da mídia e das gravadoras no exercício da pressão. Com o mundo cada vez mais conectado e, consequentemente, com as notícias trafegando com maior agilidade, toda notícia é sabida e rapidamente esquecida.
As grandes gravadoras necessitam que seus artistas sempre estejam nos jornais. Escândalos extra-musicais e discos forçados, fracos, feitos apenas para cumprir com o contrato, acabam por decretar o precoce fim de um conjunto. Grandes bandas, como o Coldplay, devido a artificialização do tempo criativo necessário, passam a viver de uma série de discos irregulares, que não condizem com o feito no início de sua carreira.
Longe de todo alvoroço, o underground serve de válvula de escape para o artista seguir naturalmente sua carreira. Os efeitos positivos se fazem tão evidentes, quando vemos que, geralmente, as bandas afastadas das chamadas major labels que conseguem ter longo tempo de vida, possuem uma discografia bem mais regular do que as grandes bandas.
É o caso do The Bellrays, juntos a mais de vinte anos, só conseguiram ter uma maior repercussão, ainda no underground, com o incrível álbum Grand Fury de 2000. Após esse, a banda caminhou por outros bons álbuns até desembocar em Black Lightning, lançado no começo desse ano.
Em seu novo álbum, os norte-americanos mantem toda a essência do grupo, apostando na fórmula que sempre mostrou dar certo: os fortes e furiosos vocais de Lisa Kekaula, que nos faz, muitas vezes, pensar ser um homem à frente do microfone, acompanhada de sua banda que passeia entre punk, hard rock e soul.
Entretanto à essência preservada, o novo álbum do quarteto traz uma sonoridade bem mais pop e radiofônica às suas canções mais roqueiras. O excesso de sujeira e vinhetas experimentais são postas de lado para uma produção bem mais hi-fi tomar conta já na faixa homônimo, que abre o disco.
Apesar das sutis modificações, mais do que necessárias de um álbum para outro, o The Bellrays produz um novo trabalho de qualidade bastante semelhante a seus antecessores, que, em sua meia hora de duração, traz faixas quase sempre incríveis e simples, excedendo energia apesar do longo tempo de carreira.